Resolvi criar um blog novo para nele tratar de assuntos tradutórios.
Pelo menos inicialmente, as traduções de que pretendo falar aqui são exclusivamente as minhas.
Manuais de usuário de qualquer tipo de aparelho comprado no exterior que porventura me solicitem traduzir, correspondência pessoal, comercial ou de qualquer outro tipo que porventura me solicitem traduzir, artigos, teses, dissertações etc. que porventura me solicitem traduzir, tudo isso e muito mais que porventura me solicitem traduzir são coisas que já passei três décadas inteiras fazendo, mas nada disso pretendo que se torne assunto a tratar aqui.
Traduzi bem poucos livros em todo esse tempo, em média algo por volta de um tiquinho assim mais que um para cada dois anos.
No ano passado, tomei conhecimento da existência de uma editora americana chamada Babelcube. Ela funciona quase exclusivamente online e aproxima autores independentes e tradutores de vários países pelo mundo a fora. O contrato padrão de lá permite que estes autores tenham seus livros (geralmente e-books) traduzidos sem necessidade de desembolsar dinheiro algum para remunerar os tradutores, que são pagos à base de um percentual sobre o volume de vendas do produto. Tentador, não é?
Já aos tradutores dá-se a oportunidade de escolher os títulos que desejam traduzir e de propor seus próprios prazos, fora aquela risonha possibilidade de acabarem sendo incomparavelmente mais bem pagos do que de qualquer outra forma que já experimentaram, desde que saibam, além de traduzir muito bem, chamar eficientemente a atenção do seu possível leitorado e de quebra aida tenham 'pé quente'.
Por tudo isso, achei a ideia muito boa, em princípio. Mergulhei de cabeça, jogando nela quase todas as minhas fichas em parte do primeiro e todo o segundo semestre de 2015. Fechei nada menos que sete contratos. Para quem de livros só traduziu pouco mais de meio por ano em três décadas, a média de um livro por mês ano passado representou um ritmo de trabalho realmente vertiginoso.
Por outro lado, porém, desta 'moeda' é que a remuneração fica praticamente imprevisível. Tudo depende do desempenho comercial do produto, coisa com que naturalmente eu nunca fui mesmo de me preocupar muito. Claro que fiz alguns esforços (sempre muito discretos) de divulgação, conforme pude. Anunciei (sem estardalhaço) em várias redes sociais cada livro traduzido que ia sendo publicado, também falei com várias pessoas que conheço sobre minhas traduções. Os resultados, contudo, não me infundiram um entusiasmo nem de longe compatível com o que experimentei enquanto traduzia.
Ainda sei muito pouco sobre este pra mim ainda novo mercado onde as livrarias são virtuais, mas ele é simplesmente enorme. Tenho livros na Amazon, Kobo, e várias outras lojas virtuais tanto no Brasil quanto numa batelada de outros países, em todos os continentes. A sensação é meio estranha mas bem interessante: vejo-me por ora como alguém solenemente ignorado em escala planetária e acho isso bom, muito bom, por mais mixuruquinhas que os resultados concretos ainda se mostrem a cada novo relatório. E ainda é cedo demais para se tirar qualquer conclusão.
Pode ser que meus esforços de divulgação até aqui tenham sido mesmo insuficientes e que por conta disso os trabalhos publicados ainda não deram frutos dignos de menção. Mas peraí, né, tenho trinta anos cheios de experiência como tradutor profissional e absolutamente nenhuma como publicitário, pô. Também pode ser que o leitorado brasileiro ainda não tenha se acostumado direito com a ideia de ler e-books.
Certamente parece que digo isto com base no desempenho de minhas traduções, mas não, estou comparando o que sei e que vejo acontecer aqui com o que acontece nos Estados Unidos, no Canadá, e em parte na Europa. De qualquer jeito o que sei é que o brasileiro médio lê relativamente bem pouco, principalmente em se tratando de e-books. Claro que também desconfio disso principalmente pelo fato de só um dos e-books que traduzi, o que está há mais tempo na Amazon (desde 5 de outubro) sai por mais de dez reais, aliás sai pelo triplo deste valor, na verdade, e foi o de melhor desempenho até aqui, além de ter sido o primeiríssimo e-book a vender e - vejam só - na Alemanha.
Mas então os outros. Dois saem por sete reais e uns quebrados, e o outro, o de poesia, estava ontem na Amazon a três reais e meio. Moral da história, pode-se comprar os quatro e-books de tradução minha na Amazon com cinquenta reais e meio. E a Amazon ainda disponibiliza gratuitamente o aplicativo Kindle, que permite a leitura de e-books em computadores, tablets, alguns telefones. Preço então não deve ser o real motivo desse ritmo tão quelôneo nas vendas.
Ainda não tenho nenhum plano definido sobre o que farei para dar a meu trabalho tradutório a necessária e suficiente visibilidade. Mas enfim, este blog está inaugurado.